Sou psicanalista e psicólogo bilíngue francês–português. Atendo pessoas que migraram, se expatriaram, voltaram — ou que vivem, de um jeito ou de outro, entre dois países, duas línguas e duas versões de si mesmas.
Uma mudança de país reorganiza tudo: o trabalho, os vínculos, a relação com a própria história. O que era óbvio deixa de ser. Os gestos cotidianos exigem tradução. E, com frequência, aparece uma solidão difícil de nomear — não por falta de pessoas ao redor, mas porque quem está ao redor não compartilha as mesmas referências.
Na clínica, isso costuma chegar em formas reconhecíveis: cansaço persistente, ansiedade sem objeto claro, dificuldade de decidir se fica ou volta, culpa em relação a quem ficou, sensação de estar sempre em provisório. Nada disso é fragilidade individual. É o efeito de uma reorganização real, que merece um espaço para ser pensada.
Conselhos práticos ajudam na logística. Mas a migração toca em algo anterior: quem você era antes de partir, o que esperava encontrar, o que deixou sem resolver. A psicanálise oferece um tempo em que essas camadas podem ser ditas sem pressa e sem a exigência de conclusão rápida.
Não se trata de adaptar-se mais rápido. Trata-se de entender o que a partida mobilizou — inclusive o que ela permitiu — e sair de uma repetição que muitas vezes começou muito antes do voo.
Falar de si numa segunda língua muda o que se consegue dizer. Certas palavras vêm mais frias; outras não vêm. Atender em francês e em português permite que a análise aconteça na língua em que a história foi vivida — e que se troque de língua quando isso se torna necessário, o que em si já diz algo.
As consultas acontecem por videoconferência, de qualquer país e fuso horário, ou presencialmente no consultório, no Brasil. A primeira conversa serve para você expor o que o traz e para avaliarmos juntos se esse trabalho faz sentido — sem compromisso de continuidade.
Formei-me em psicologia no Brasil e em psicanálise na França. Desde 2017, meu trabalho tem sido quase inteiramente com pessoas migrantes e refugiadas — em serviços de acolhimento, em ambulatório de saúde mental transcultural e em consultório.
Sou habilitado a exercer a psicologia na França e no Brasil (CRP 06/111774) e colaboro com a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, onde participo do grupo de trabalho sobre migração.
A experiência migratória não tem uma geografia única. Atendo por videoconferência pessoas em qualquer fuso horário — o que define o trabalho é a língua em que se pode falar de si, não o país onde você está.
O psiquiatra é médico e pode prescrever. O psicólogo é formado em avaliação e acompanhamento clínico. O psicanalista trabalha pela fala e pela associação livre, num enquadre regular. Sou psicólogo e psicanalista (CRP 06/111774).
Não. A migração é meu campo de trabalho, não uma condição de entrada. Muitas demandas não têm nenhuma relação com uma mudança de país.
Sim, mas a escolha da língua nunca é neutra — e faz parte do que se analisa. Aqui você pode passar do português ao francês quando uma palavra só vem na outra língua.
Uma por semana é o ritmo mais comum; em análise, duas. Decidimos juntos depois das primeiras entrevistas.
Sim. Nada é gravado e o sigilo profissional previsto no código de ética se aplica integralmente, inclusive por videoconferência.
Escreva contando brevemente o que procura, em português ou em francês. Eu mesmo respondo a você.