Liazid Benarab
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Artigo Psicanálise e migração

Migrar não é só
mudar de endereço

Sou psicanalista e psicólogo bilíngue francêsportuguês. Atendo pessoas que migraram, se expatriaram, voltaram — ou que vivem, de um jeito ou de outro, entre dois países, duas línguas e duas versões de si mesmas.

Liazid Benarab
Psicanalista e psicólogo · Atendimento em francês e português · Online, de qualquer país · Consultório presencial no Brasil
Falar uma primeira vez
O que está em jogo

O que a migração faz com a vida psíquica

Uma mudança de país reorganiza tudo: o trabalho, os vínculos, a relação com a própria história. O que era óbvio deixa de ser. Os gestos cotidianos exigem tradução. E, com frequência, aparece uma solidão difícil de nomear — não por falta de pessoas ao redor, mas porque quem está ao redor não compartilha as mesmas referências.

Na clínica, isso costuma chegar em formas reconhecíveis: cansaço persistente, ansiedade sem objeto claro, dificuldade de decidir se fica ou volta, culpa em relação a quem ficou, sensação de estar sempre em provisório. Nada disso é fragilidade individual. É o efeito de uma reorganização real, que merece um espaço para ser pensada.

Motivos que costumam trazer alguém aqui
Luto migratório
A perda difusa do país, da língua cotidiana, dos vínculos e do lugar que se ocupava.
Identidade entre duas culturas
Nem completamente de lá, nem daqui — e a pergunta sobre onde se pertence.
Ficar ou voltar
Uma decisão que se repete há anos sem se resolver, com culpa dos dois lados.
Casal e família binacional
Diferenças que não são de personalidade, mas de referências culturais e familiares.
Retorno ao país de origem
Voltar e não reconhecer mais o lugar — nem ser reconhecido nele.

Por que psicanálise, e não só apoio prático

Conselhos práticos ajudam na logística. Mas a migração toca em algo anterior: quem você era antes de partir, o que esperava encontrar, o que deixou sem resolver. A psicanálise oferece um tempo em que essas camadas podem ser ditas sem pressa e sem a exigência de conclusão rápida.

Não se trata de adaptar-se mais rápido. Trata-se de entender o que a partida mobilizou — inclusive o que ela permitiu — e sair de uma repetição que muitas vezes começou muito antes do voo.

A língua materna importa

Falar de si numa segunda língua muda o que se consegue dizer. Certas palavras vêm mais frias; outras não vêm. Atender em francês e em português permite que a análise aconteça na língua em que a história foi vivida — e que se troque de língua quando isso se torna necessário, o que em si já diz algo.

As consultas acontecem por videoconferência, de qualquer país e fuso horário, ou presencialmente no consultório, no Brasil. A primeira conversa serve para você expor o que o traz e para avaliarmos juntos se esse trabalho faz sentido — sem compromisso de continuidade.

Percurso

Uma clínica formada na migração

Formei-me em psicologia no Brasil e em psicanálise na França. Desde 2017, meu trabalho tem sido quase inteiramente com pessoas migrantes e refugiadas — em serviços de acolhimento, em ambulatório de saúde mental transcultural e em consultório.

Sou habilitado a exercer a psicologia na França e no Brasil (CRP 06/111774) e colaboro com a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, onde participo do grupo de trabalho sobre migração.

Formação
2012 – 2013
Mestrado em Psicologia — Psicanálise e Medicina Científica
Université Paris-Diderot, França.
2010 – 2011
Pós-graduação em Psicoterapia Breve
FUNDEB, Bauru/SP.
2007 – 2012
Graduação em Psicologia
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru/SP.
Trajetória & experiências
2025 – atual
Psicanalista — consultório para migrantes e refugiados
Grupo Veredas, IPUSP/USP, São Paulo.
2021 – 2023
Psicólogo — saúde mental transcultural
Instituto de Psiquiatria HCFMUSP, Ambulatório Transcultural PROSOL, São Paulo.
2017 – 2020
Psicólogo clínico e social — migração, refúgio e direitos humanos
Cáritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP).
2017 – atual
Psicólogo social — serviços socioassistenciais e acolhimento
Associação Nossa Senhora da Escada, Barueri/SP.
Julho de 2026
Colaborador — Comissão de Direitos Humanos, CRP São Paulo
Grupo de trabalho sobre migração.
Para quem

Pessoas que vivem entre dois lugares

A experiência migratória não tem uma geografia única. Atendo por videoconferência pessoas em qualquer fuso horário — o que define o trabalho é a língua em que se pode falar de si, não o país onde você está.

Brasileiros e brasileiras vivendo fora — em qualquer país
Franceses e francófonos vivendo no Brasil ou em outro país
Casais e famílias binacionais, e filhos crescendo entre culturas
Quem está decidindo partir e quer pensar essa decisão antes de tomá-la
Refugiados e pessoas cuja partida não foi uma escolha
Quem voltou ao país de origem e não se reconhece mais nele
Perguntas frequentes

« Psicólogo, psicanalista, psiquiatra: a quem procurar? »

Qual a diferença entre psicólogo, psicanalista e psiquiatra?

O psiquiatra é médico e pode prescrever. O psicólogo é formado em avaliação e acompanhamento clínico. O psicanalista trabalha pela fala e pela associação livre, num enquadre regular. Sou psicólogo e psicanalista (CRP 06/111774).

Preciso ter migrado para me consultar?

Não. A migração é meu campo de trabalho, não uma condição de entrada. Muitas demandas não têm nenhuma relação com uma mudança de país.

É possível fazer análise numa língua que não é a materna?

Sim, mas a escolha da língua nunca é neutra — e faz parte do que se analisa. Aqui você pode passar do português ao francês quando uma palavra só vem na outra língua.

Quantas sessões por semana?

Uma por semana é o ritmo mais comum; em análise, duas. Decidimos juntos depois das primeiras entrevistas.

As sessões são sigilosas?

Sim. Nada é gravado e o sigilo profissional previsto no código de ética se aplica integralmente, inclusive por videoconferência.

Contato

Falar uma primeira vez

Escreva contando brevemente o que procura, em português ou em francês. Eu mesmo respondo a você.

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